Território encerrado · 2017
TupiAFU
Estacionamento do antigo Cassino da Urca / TV Tupi
Onde tudo começou, em dezembro de 2017: 60 m² de entulho no estacionamento do antigo Cassino da Urca que viraram agrofloresta, composteira e o primeiro banheiro público do bairro.
- dez. 2017
- Primeiro mutirão
- ~60 m²
- Área recuperada
- 4 t
- Terra preta resgatada
- 8
- Barris no banheiro seco
Em dezembro de 2017 aconteceu o primeiro esforço coletivo do bairro: um mutirão com mais de 40 pessoas para intervir numa área abandonada de aproximadamente 60 m², cheia de entulho de obra, mato e lixo, no estacionamento do antigo Cassino da Urca / TV Tupi.
Em pouco tempo, aquele acúmulo de lixo, insetos, ratos, baratas e animais peçonhentos virou um espaço de convivência harmoniosa entre várias classes sociais, com agrofloresta produtiva, composteira, banheiro seco e um lugar agradável para encontros e trocas de saberes. Em 2018 o território recebeu a primeira Feira EcoCultural da AFU.
O espaço, ignorado pela ordem pública, era ativamente usado por pessoas em situação de rua e por banhistas que não encontravam banheiro público nos arredores. Fezes humanas apareciam com frequência nos fundos do terreno, de maneira desordenada e com risco à saúde. A resposta foi um saneamento simples, barato e ecológico: o banheiro seco, o primeiro e único banheiro público do bairro. Foram 8 barris plásticos de 200 litros no total da experiência, e o composto gerado serviu de adubação para os canteiros do bairro.
Uma placa informativa não resolveu — muitos não sabem ler. Foi preciso implementar uma rotina de diálogos, explicando e demonstrando o uso do banheiro seco às pessoas em situação de rua e aos banhistas que frequentavam o território. Com o tempo tornou-se raro encontrar fezes desordenadas no espaço, e viu-se os próprios moradores sem teto, mais antigos no projeto, ensinando como se usa o banheiro aos recém-chegados.
O primeiro espaço ocupado pelo coletivo foi concedido à Escola Eleva, e a jornada da AFU nesse território terminou com a revitalização da ruína. Mas não sem resgatar 4 toneladas de terra preta produzidas em 4 anos de agroecologia, principalmente a partir da coleta de matéria orgânica descartada como lixo nas ruas do bairro. O resgate de terra, sementes e mudas ocorreu ao longo de um ano, com sucessivos mutirões, manejos e celebrações — afinal, a semente social plantada ali se dispersou para outras terras.
Relato e números extraídos de “AFU — Agrofloresta da Urca: uma experiência de conexão”, apresentado ao Congresso Brasileiro de Agroecologia por Breno Brito Fontel (Coletivo AFU) e Elias Ribeiro de Arruda Junior (LabPERMA/UFF).
A semente se dispersou para outras terras
O coletivo segue cuidando de outros quatro territórios no bairro. Conheça onde a AFU está hoje.
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